quarta-feira, 1 de abril de 2009

transparência

         Mergulhada num mar profundo de sentidos; sensações que me fazem criar imagens e mentalmente friccioná-las, criando uma faísca que nunca parece ter fim, e de repente é como se um simples roçar me fizesse desabar por dentro, me auto-implodir; espécie de alívio, outras vezes não, pois preciso suavemente fechar os olhos e sentir com a ponta dos dedos tudo trepidando como sinto a cada vez que encosto numa tecla. E depois outra imagem-sensação, uma verdade absoluta pregada no céu da minha boca, numa boca que não parece ser só minha e num céu que parece ser infinito: algo sentindo fome da minha própria fome e ricocheteando meu coração com um pulsar que expande, tornando mais labiríntico e denso o caminho... dizer palavras atordoadas por um cheio sem perfume é mortal. Sinto em mim o tempo partindo e repartindo partículas mínimas de coisas que desconheço, há uma idéia por dentro de algo fenomenal que, só esse tempo inexato me inspira, um interstício que ninguém mais viveria além de mim e... Algo nascido no obscuro que cresce sussurrando, escorrendo por paredes secretas minhas e de outrem: uma verdade emudecida por intimidades.

Nenhum comentário: