domingo, 22 de março de 2009

Dear, don't stop

Junto aos pretextos, todos pelo avesso; ressoam frases soltas:

Estas, que deslizam de mim como fitas finíssimas de veludo -

E percorrem, cheias de nós, alguns mundos

 

Imagino sua respiração – (agora)

Aspirando tudo o que flutua entre nós.

Abro os olhos, impetuosa. Engulo movimentos, que por vezes, me cegam.

 

Num meio instante cru, abro um caminho suave por entre as ondas

Despejo tudo o que era torpe.

Clarividência fajuta que me lança em mil farpas, com violência.

 

Mancha de sangue,

Silêncio. Estico, desabrocho todo meu corpo: preciso tocar.

Todos os dias... respiro um pouco mais e, abstratamente, absorvo.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Aliás

        Estar no mais belo de todos os lugares é a tenuidade, como grande desafio que espero. Docilmente imersa num mar onde flutuo envolta a sonhos e munida de feições para além da compreensão objetiva. Desprendida num ar revolto: reconheço o substrato e como a esmo, tudo se lança em silêncio; pequeninas lágrimas de outrem repondo – não exatamente no lugar – tudo aquilo que, eu, lascivamente expirei.

       Sinto os ossos partindo, como mínimas explosões: uma a uma, vou me decompondo. Mostro-me sinuosamente e inacabada, pois não tive escolha. Indo e vindo, tragando e respirando seu pequeno mundo de noites esbranquiçadas... e nervuras. Tecendo inúmeras partituras inaudíveis: dou um passo e desabrocho como se só acontecesse de cem em cem anos.

       Olho, sempre zonza esse monstro que criei. Aliás, observo, sentindo o vento, caindo por entre tudo: como se o labirinto-abismo fosse só de ar. E uma divina certeza assovia no meu ouvido, me contorço inteira. E logo sei que me colocam desse outro lado da vida: calo meu corpo numa velocidade atroz.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Like an x ray

 

       Criando raízes para um monstro cochilar em mim; perdendo a cadência e enxergando somente a escuridão pulsante: porque ainda é desejo e no meio dessas pernas que não vão, desses braços que nunca chegam... eu, alta e sagaz – simplesmente tateio no infinito sem lembrança alguma.

       Semideus que habita entranhas cruas. Parte num largo rasgo: Adeus tuas vísceras!

Falho escarro, beijo amargo. sempre e em segredo, ato-me na quietude dessa intensidade toda que estoura (e desmorona).

       Ecoando em ondas. Disponho-me em pedaços, pequena figura dum crânio saturado (casa-se com isto?).

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Os poros

       Chego no meio de um vendaval: desfaço cabelos e reconstruo poros e derramo poeira nos olhos e respingo em mim mesma. Boquiaberta, dou a volta em Dois que já se tornaram Um só e provoco um tufão, mais um, mais um, mais um tufão... suspiro e vou me refazendo no caminho.

       Vejo de longe as mãos soltando e que o Dois que virou Um virou Dois novamente. Olham-se fixamente por alguns segundos... e ele limpa o olho direito com a mão, repetidas vezes. E ele também, o outro ele.

       Ajeitam os cabelos aloirados, loiro avermelhados. E se olham novamente, um olhando para o outro, como se fosse estranha a sensação; se tocam, - respiram fundo – e depois, o que vêm é a lembrança em forma de saudade.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Farpa lançada com violência

       Mais uma vez; as luzes: todas Luas surradas. No caminho, os olhos acetinados; vermiculados enquanto a pista toda é um grande mata-borrão febril.

       Vermelho-musgo. Sugado. E não respiro mais. Grudo em mim mesma: faísco ao fuzilante pulsar, e, – grito – desabrocho um coração.

       Dôo-me inteiriça e emaranho: embrenho-me sem estar. Engolindo sofreguidões aéreas, extorquindo além do borro de ontem: mais feliz.

       Trago-o: tempo. Um instante antes de ser tempo.

E que, ainda, no ápice dissolvido se auto-tecia: enquanto Tudo era só abstinência.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Passo do invisível

       Lágrimas são de açúcar que a água – da chuva – faz o favor, com gosto, de levar. Com meu vestidinho preto, pego as chaves de casa (e também de todos os portões e portais). Saio como um ciclone em mim e sem mim; varrendo tudo, deixando até paredes para trás.

       Talvez, nessa velocidade toda, bem-assim-volátil-e-sagaz sei que consigo: presentes sinceros. Poesia que nunca temeria espiral, opacidade ou nudez – dessas também sentimentais -, transparência perspicaz e tudo, tudo que é rápido demais: dentro de mim.

       Corpo é tapume. Fecho os olhos e continuo: tateando fundo, no obscuro, tenho clarividência de ancestral e essa coisa doida, que vem de longe e é sempre desconhecida. Desistência fajuta. Fujo de mentira: quase caracol.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Mosaico

Fiapos nas unhas. Cérebro grunhindo em pedaços: arranho tudo, milimetricamente faço um amor só e depois destroço!

Palavras em vai e vem e sou habitada pelo ninguém. Muros altos; murros doídos na boca esquartejada: fecho os olhos. Sei que posso suportar mais – dor de menos – vontade demais... unhas em fiapos.

Noite cheia de luas, passo que o corpo segue só, em mim, ainda partiria tudo! Asfixiada por essa vermelhidão tua, jazida num corpo todo febril: a um passo da libertação!

Cortejo olhares ancestrais dos ares e tudo a mais que não posso tocar sem rasgar em pedaços. Desmoronar ou amassar como um punhado do meu papel.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Carrasco

       Vivo sem dormir. Vivo em mim: tempo cai em conta gotas – já sou um mar sem fim – e toda a estranheza de deixar-se inundar e não, ainda não, transbordar. Gira a inexatidão nas noites esbranquiçadas de olhos fechados e Duas bocas abertas.

       E depois, já que tudo sempre amanhece, dormito engolindo esses tempos, que gotejam sem fim.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Dor no Peito

         Esperança numa escuridão total: respiro. Inspiro, acendo a luz. Espero... assim quero: que num minuto só tudo isso passe, logo! Meu sangue é salgado e rola até não poder mais, depois do queixo; aconchego a mão no peito pra que não chegue mais pranto, acolho-me no canto em silêncio. Trago a luz, de olhos fechados. Apago: e já e duma vez... o mundo se desfaz em festim.

eat yourself

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Silêncio


       Prédios desabam em mim. Corrôo as paredes. Engulo todo o chão, esvazio as salas de estar, faço motim: incendeio andar por andar. Sei que num só passo, uma coisa destrói a outra e a eternidade é um grande vazio e disforme espelho de asas. Estou para ninguém. E tudo a favor. A eletricidade pungente liberta contra o resto do mundo: a destruição também constrói.