quarta-feira, 23 de julho de 2008

Atrás de algo a mais

   Como a vida e depois vomito: o homem carrasco e a mulher insensível. Encaro todos, os vícios, seus vícios com misericórdia e pedido, agora. Dubitabilidade a minha; estar sendo invisível. Sou fantasma encarnado num coração que bate incansavelmente, mas que um dia cessará. Infortuno o meu paradoxo sozinho que já não é mais solidão.

   Nicho a condição bela e subordinada em que encontro a paz; empilhado de azulejos, recanto perfeito e o pingar frenesi das gotas d’água. Estou “solamente-nua” colada no meu coração-fantasma que bate e baterá nos instantes que virão, vieram: me engolirão!

   − Engoli as tais palavras, a tal solidão: mando sinais de fumaça, meu fio cerebral de encontro ao teu, ligado ao crânio, morto, talvez. Bombas, mísseis, fósseis, coisas jurássicas, sou de tudo pré-história e não meço esforços ou medidas.

   Ganhei uma certa fraqueza ao ligar-me à sua existência que de tudo só me chama; igualizei toda a minha resistência para compreender que não posso cair e que só tenho de levantar quando me deito porque quero me deitar. Fui rejuntando todos os sonhos pequeninos, com cola instantânea. Reagrupando noções e engolindo junto às pílulas e comprimidos a única coisa que nunca quis aprender: esperar.

   Esperar, que mal há? Infindável a minha condição. Vou estar sempre a esperar. E tudo isso, tudo isso, tudo, aprendi com você, que vou esperar até o meu coração cessar e logo após recomeçar, até minha latente solidão reaparecer e o meu olhar se perder. E quiçá “Um sopro de vida” voltar! Sempre adversa, sempre dúbia, perplexa, paradoxal: sentindo sem sentir e vivendo sem acreditar mesmo viver, porque a constância-máxima da minha vida é a pessoa-eu-defronte-e-atónita.

   Quanto à vida, essa: meu coração bate normalmente agora, talvez umas 70 vezes por minuto, não lhe vejo. Respiro por mim mesma, sem tubos e sem sopros pela minha boca, apesar de eu achar sopros de vida um jeito gostoso de se despertar do letárgico sono. Acordo todos os dias e me levanto, com preguiça, mas sem medidas. Sorrio e espero porque de tanto engolir, tudo isso, eu, − sinceramente − aprendi.

Um comentário:

Voz de Eco disse...

O unico critério que conheço para falar a respeito do que leio é o gosto. Nesse caso um gosto dúbio.
Doce e amargo.
Doce porque é uma delícia de ler
Amargo porque fala a linguagem do meu coração, nesse momento.

Abraços.