sábado, 13 de dezembro de 2008

Poesia

       Há isto. E só aqui, eis o silêncio das palavras que não se pronunciam, dessa coisa toda que não sai do coração. Pousam gotículas mansas centímetros abaixo da gola da blusa, - líquido este, que, saiu dos olhos trêmulos, enervados de um sentimento reconstruído e remoído por dor... ou por amor. Removente ar, aquele que jaz no tempo em que a batida era somente uma batida de coração e a liberdade era simplesmente                                                                              v-o-a-r.

       Sentimento carnudo contornando os mundos, driblando mães de bocas infames e crianças de estômagos famintos: dizeres sob vozes, entonações e fumaças saídas da boca. Fantasmas dos hedonistas que éramos ontem e do instante sagaz que engoliu todo o chão em que podíamos pisar e agora, agora? Tudo Nosso é desenho no                                               c-é-u.

       E a grande boca nos olhando de cima, enquanto fecho os olhos bem aqui, debaixo e não quero nunca mais... misturo na mansidão do teu colo e no desprezo das tuas mãos, estas, que ainda me afagam os cabelos. Talvez seja o pileque: champagne, tequila, vodka, mas o meu mundo gira, e o de fora também, e, apesar de você, toda aqui, um lugar só pra mim, afago quente, hálito bom, coração aberto, eu continuo me sentindo                                                                                                                                                                               t-ã-o s-ó.

4 comentários:

Arthur B. Senra disse...

você escreve muito bem.

Nilmar Barcelos disse...

lamour

Susanna disse...

lindo texto.... a gente, ao ler, sente o que vc escreve!

ivone fs disse...

e cada palavra absorvi
e cada palavra descreveu-ME

foi pra mim? foi, pois li na hora exata...